Ronco, o vilão de qualquer casamento.

Ronco, o vilão de qualquer casamento

São 23h08. Lienio está lá embaixo, montando uma luz que ele chama de ‘iluminator five thousand’. Ouço a discografia do The National, sempre inspiradora para um fim de noite. E jajá vamos fazer nosso primeiro post de 2013.

Há poucos instantes, terminei os últimos detalhes de uma matéria sobre um novo espaço de teatro na cidade. Estou muito atrasada com muitas coisas para editar e escrever e estudar e ler.

Instantes antes ainda dos poucos instantes há pouco, uma querida amiga noivinha postou uns agradecimentos no Facebook – para mim e para o Lin. E, depois disso, ainda divulgou este blog, que desde o dia 28 de agosto de 2012 estava silenciado. Seis meses.

Nosso desafio dos 365 dias funcionaram como qualquer vida de casal: às vezes, muito bem-sucedido; outras, capengando; na média, indo bem. Mas tivemos nesses períodos de pausa muito para refletir. Pelo menos, eu, que tenho a tarefa de escrever – tipo, ele lava o quintal, eu lavo a louça. Aqui, eu escrevo (e lavo a louça).

Muito aconteceu, muito se passou e eu descobri, ao final dessa minitemporada de exposição, que morro de vergonha alheia e medo e terror e timidez de me vulnerabilizar tanto assim, em público. Mas logo eu, que não sou introvertida?, eu questionava, sem entender. Até que meu terapeuta explicou a diferença:  “A timidez é a dificuldade de se abrir, de se expor”. Ou seja, você pode ser extrovertido e tímido. Levei isso comigo. Não gosto de vergonhas que atrapalhem meu caminho. Não faz bem.

E desde então armei um plano antitimidez (e antiprocrastinação). Um deles foi retomar nosso querido Mais Um Dia Com Você, mas dessa vez em um ritmo mais lento. Para recomeçar, me inspirei na tímida (e introvertida) Karen Armstrong e os relatos feitos por ela na autobiografia A Escada Espiral. “Eu teria de expor meu lado mais vulnerável. Seria como me despir diante de centenas de estranhos. E escrever livros era função de outras pessoas (…)”, descreve essa ex-freira, na página 243. No caso, no meu caso, blogs, não “livros”.

Meu ciático está inflamado. Nada grave. Mas na medicina chinesa, é uma dor relacioanada a coragem. A falta dele, óbvio. E se 2013 é meu ano da saúde, vamos derrubar esses vilões. Como a questão do ronco do salafrário do Lienio, que me atormenta há 8 longos anos e que é tema da foto que ilustra esse post.

{O Lienio reclama que este post ficou muito comprido. Também acho, mas se meu desafio é escrever o que eu acho que tem de ser, não vou ficar me reprimindo a toda hora. Nem deixá-lo me reprimir, hehe.}

Serei um livro – um blog – aberto.

Créditos:

Foto: Lienio Medeiros.
Luz: Iluminator Five Thousand, geringonça criada pelo Lin.
Clima: de boas-vindas. Coragem, aí vamos nós!
Tratamento de imagem: dessaturação, contraste e vignette.

E eu poderia deixar passar em branco o marco dos 365 dias com você – com ele – por aqui? Poderia, ô se poderia. Se eu quisesse ser cool, se eu quisesse ser blasé, se eu quisesse ser low profile era só deixar passar.

Mas tem horas que essa pieguice é a coisa mais fofa do dia. ;P

Pena que a data caiu bem no ápice de uma semana de fechamento de mais uma edição da Time Out São Paulo – repara na folha embaixo da foto, um “espelho”, como a gente chama, com todas as pagininhas do que vai entrar na edição, pra gente visualizar melhor, se organizar e ir rabiscando cada quadrado finalizado. Mas isso é chato.

Legal mesmo é completar 8 – oito! – anos com o Lin. Não pelo número, porque vale mais a qualidade do tempo que se fica junto do que os anos que vão passando. Acho isso.

Beijo e volto assim que der.

Créditos:

Foto: Evelin Fomin (sobre foto de André Moura).
Luz: natural.
Clima: de fechamento de edição, puff, puff.
Tratamento de imagem: Snapseed.

A foto é meio nada a ver. Dia desses a gente tentou criar algo que não deu muito certo

Eu sei, o título acima é do tipo chamariz mesmo, que fez você clicar e ler essas exatas linhas que escrevo agora. Tenho entre meus leitores, estou imaginando aqui, muitos pais e mães de família. Da tradicional e conservadora família cristã protestante, quiçá católica, talvez espírita. Mas antes que você se choque comigo e continue lendo essas mesmas linhas, vou avisando que não vou escrever nada que – acho -, vai fazer você enrubescer.

É simples. É direto. É divertido. É uma fórmula.

O relógio acaba de marcar que é madrugada de uma linda sexta-feira 13 de economias que ainda não terminou (embora oficialmente já seja amanhã): Lin e eu ficamos em casa para evitar gastos, sabe como é. E eu só estou escrevendo esse post porque ele me surpreendeu tão absurdamente que achei que valia.

Taí uma nova forma, uma forma 2.0 pra você falar lindas baixarias para apimentar sua relação a dois. Ou simplesmente fazer o outro rir loucamente e o clima não ter a menor chance de acontecer (adivinha qual das alternativas foi a nossa por aqui). Funciona assim:

1. Entre no Google Tradutor;
2. Selecione as línguas que você quer em cada caixa de texto;
3. Digite sua frase de preferência em português (a minha, por exemplo: “seu troglodita, vê se me traz um pouco de joias”; a do lin: bem, é impublicável);
4. Aumente o volume de seu computador;
5. Quando seu companheiro(a) estiver distraído, aperte o sinal de volume no canto inferior direito e divirta-se com a voz feminina suave (pena que não tem gravação de voz masculina) da gravação que vai recitar qualquer coisa (qualquer coisa mesmo) que você digitar.

Créditos:

Foto: Lienio Medeiros.
Luz: três flashes.
Clima: ____________.
Tratamento de imagem: contraste.

Votos sinceros de que haja mais amor em sp – e um pouco de outono/inverno, por favor

A Páscoa acaba de terminar e vou dizer que ela foi uma estranha no ninho, assim, com os ovos meio fora de lugar. Não foi entediante, ao contrário, foi cheia de encontros deliciosos, cheia de amor, cheia de (poucos) amigos. Mas eu preciso também contar que ela foi, assim, toda simbólica, toda permeada por um discurso morto-vivo. Eu explico.

Sexta-feira da Paixão – Três amigas seguem rumo à difícil meta de encontrar um vestido longo lindo e barato. Três amigas não encontram o vestido. Três amigas sentam-se para tomar um delicioso e tradicional cappuccino Kopenhagen e começam a falar sobre como uma das amigas das três amigas mudou sua vida cem-por-cento depois da morte repentina do pai. “A vida é curta”, diz a mais engraça das três, sem nenhuma intenção de fazer graça.

Sábado no Sepulcro –  Lin, eu e uma amiga seguimos para um café da manhã na padaria. Lin, eu e uma amiga falamos sobre a morte de muitas coisas que já foram valiosas, e vamos buscar uma encomenda logo ali. Lin, eu e uma amiga abrimos a encomenda e lemos o cartão enviado, que diz: “A Vida é curta…”. Terminando, dentro do bilhete, com um engraçadinho “…comece pela Sobremesa”.

Domingo da Ressurreição –  Lin e eu lamentamos a notícia do estado de fragilidade de uma tia querida, que sempre foi forte – em tudo. Lin, eu e uma amiga seguimos para ver Ifigênia, da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, que conta lindamente o mito grego de seu sacrifício em favor de um povo, e de sua salvação pela misericórdia da deusa Ártemis, que a troca por um cervo, que a substitui no altar. “Não somos a vida. Vivemos”, repetem, muitas e muitas vezes, os atores durante a peça.

E o domingão terminou assim, eu descobrindo que não gosto mesmo de ovos de chocolate, que Lin e eu temos uma lista de pendências que nunca vamos zerar na vida, que nada nessa vida é para sempre, que eu quero voltar a cantar antes que a minha vida útil acabe, que o Lin é a pessoa mais interessante que eu já conheci na vida, que o teatro é a minha vida (paralela), que a vida passa, a uva passa e o ferro passa.

Créditos:

Foto: Nilsão.
Luz: flash.
Clima: de despedida.
Tratamento de imagem: vignette do Lin.

Domingo no Minhocão na festa Voodoohop ao ar livre no Festival BaixoCentro!, com Claire e Fabs

A você, que fez massa caseira para o jantar
A você, que abriu sua casa e suas (muitas) louças
A você, que cortou tomates para estranhos
A você, que convidei e respondeu
A você, que convidei e nem se ligou
A você, que torceu muito por esse post
A você, com quem tentei almoçar e não deu
A você, que está muito doente e pode nos deixar
A você, que onfendi sem querer
A você, que me julga mas me quer bem
A você, que não me entende mais
E, principalmente, a você, Lin, que topa todas comigo,

O melhor (possível) de mim.

Créditos:

Foto: Lienio Medeiros.
Luz: natural.
Clima: de festa.
Tratamento de imagem: Nik software.


Lin e eu tivemos alguns encontros incríveis no fim de semana. Para o bem e para o mal.

Primeiro, vimos A Invenção de Hugo Cabret. É muito bom chegar a um ponto em que você se conecta com a pessoa amada apenas com um suspiro dado ao mesmo tempo no cinema diante de uma história tão singela e arrebatadora.

Com a gente, foi acontecendo. Cada um começou no seu mundo e foi se misturando, misturando até que hoje partilhamos desde o arrebatamento diante de uma obra superior como o iraniano A Separação até o silêncio introspectivo depois de um soco no estômago com Luís Antônio Gabriela, passando por exposição de carros antigos no Parque da Juventude, idas sem fim ao St. Louis para comer hamburguer e degustação difícil da direção do Roberto Alvim com A Construção.

Mais delicioso ainda é quando somos obrigados a receber em nossa própria casa indivíduos do tipo que não sabem parar de falar de si mesmos, que não se mancam ao contar vantagens revelando altíssimos salários e, não satisfeitos, mostram seus holerites para provar não sei exatamente o que e, depois de tudo, se gabam de terem gastado U$ 2 mil com bolsa Miu Miu em Nova York, comprado apartamento de R$ 1 milhão em São Paulo e, ufa, quando fechamos o portão suspiramos ao mesmo tempo sem precisar dizer quase nada a não ser um belo e uníssono “sem noção”.

Experiências tântricas a dois que você nem imagina.

Créditos:

Foto: Nilson ou Fabiana, não lembramos mais.
Luz: da janela.
Clima: de espera.
Tratamento de imagem: plug-in tiffen.

Eu sigo muitos blogs, um mais lindo e inspirador que o outro. E teve um deles, que vou detalhar mais a respeito no Programa de Mulherzinha, em que a autora – uma mulher lindíssima, interessantíssima, criativíssima – faz um adendo que ela considera importante, importantíssimo.

Ela termina o ‘about/sobre’ do blog que ela tem há três anos, no Texas, com um pedido, em inglês, que eu traduzo livremente a seguir:

“Por favor, entenda que o que você está lendo em um blog pessoal nunca é a história completa. (…) Nós não estamos tentando retratar uma vida perfeita. Nós temos bagunças gigantescas em nossa casa, pilhas de roupas esperando para serem lavadas, discussões, listas esmagadoras de tarefas por fazer, dificuldades financeiras e “aqueles dias” que são tomados de desafios, caos, frustrações e emoções”.

Preciso mesmo dizer mais alguma coisa?

Créditos:

Foto: Nilson Santos.
Luz: natural e flash.
Clima: de passeio.

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