A vida é curta

Votos sinceros de que haja mais amor em sp – e um pouco de outono/inverno, por favor

A Páscoa acaba de terminar e vou dizer que ela foi uma estranha no ninho, assim, com os ovos meio fora de lugar. Não foi entediante, ao contrário, foi cheia de encontros deliciosos, cheia de amor, cheia de (poucos) amigos. Mas eu preciso também contar que ela foi, assim, toda simbólica, toda permeada por um discurso morto-vivo. Eu explico.

Sexta-feira da Paixão – Três amigas seguem rumo à difícil meta de encontrar um vestido longo lindo e barato. Três amigas não encontram o vestido. Três amigas sentam-se para tomar um delicioso e tradicional cappuccino Kopenhagen e começam a falar sobre como uma das amigas das três amigas mudou sua vida cem-por-cento depois da morte repentina do pai. “A vida é curta”, diz a mais engraça das três, sem nenhuma intenção de fazer graça.

Sábado no Sepulcro –  Lin, eu e uma amiga seguimos para um café da manhã na padaria. Lin, eu e uma amiga falamos sobre a morte de muitas coisas que já foram valiosas, e vamos buscar uma encomenda logo ali. Lin, eu e uma amiga abrimos a encomenda e lemos o cartão enviado, que diz: “A Vida é curta…”. Terminando, dentro do bilhete, com um engraçadinho “…comece pela Sobremesa”.

Domingo da Ressurreição –  Lin e eu lamentamos a notícia do estado de fragilidade de uma tia querida, que sempre foi forte – em tudo. Lin, eu e uma amiga seguimos para ver Ifigênia, da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, que conta lindamente o mito grego de seu sacrifício em favor de um povo, e de sua salvação pela misericórdia da deusa Ártemis, que a troca por um cervo, que a substitui no altar. “Não somos a vida. Vivemos”, repetem, muitas e muitas vezes, os atores durante a peça.

E o domingão terminou assim, eu descobrindo que não gosto mesmo de ovos de chocolate, que Lin e eu temos uma lista de pendências que nunca vamos zerar na vida, que nada nessa vida é para sempre, que eu quero voltar a cantar antes que a minha vida útil acabe, que o Lin é a pessoa mais interessante que eu já conheci na vida, que o teatro é a minha vida (paralela), que a vida passa, a uva passa e o ferro passa.

Créditos:

Foto: Nilsão.
Luz: flash.
Clima: de despedida.
Tratamento de imagem: vignette do Lin.

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3 comentários
  1. Desire Macaya disse:

    Oi Evelin, tenho uma tatto que diz Carpe Omnia e outra que acredito que vc deva conhecer Soli Deo Gloria, quero que saiba antes que sua vida útil acabe, mesmo não concordando, que vc mesmo estando demasiadamente lenta em seu blog, mas vc tem que estar inspirada para escrever, acredito nisso, suas crônicas me fazem refletir e penso que: Não só existe eu de maluquinha aqui! E quero agradecer por vc cuidar tão bem do Li, ele precisava mesmo de uma pessoa muito especial como vc! Adoro vocês, mesmo a distância, se cuida garota vc tem uma eterna vida útil! Esteja certa disso!
    bjs carinhosos
    P.S: Tudo da ou melhor quase tudo da Kopenhagen é irresistível! e chocolates são apenas chocolates rs

    • Obrigada, Desiré! Com você por aqui a vida útil do Mais Um Dia vai ser longuíssima 😉

      • Desire disse:

        Obrigada! se depender vai ser longuíssima mesmo! besitos

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