Eu nunca vou me esquecer da primeira vez que trouxe uma minichapinha para casa. Meu cabelo sempre foi liso mas, de uns tempos para cá, veio sofrendo uma metamorfose hormonal e ficando cada vez mais ondulado. A chapinha, um presente de alguma empresa interessada em ser avaliada pelo Programa de Mulherzinha, me enviou o mimo e eu resolvi testá-la.

O Lin, que é do tipo ‘how-things-work”, curiosíssimo com qualquer aparelho eletroeletrônico, quis experimentar. “Me deixa tentar fazer, Evelin?” Levei um susto. E adorei imediatamente. Ensinei o menino a manusear o ferro e ele ficou ali, alisando meu cabelo simplesmente porque ele queria saber como a máquina funcionava (meu cabelo? Nem aí).

Eu que adoro uma gestão, vi ali um potencial – e aguardei a hora certa chegar. Sábado, quando tive de me virar sem a ajuda de um profissional que desmarcou o salão de última hora, lá fui eu. Desta vez, para reforçar os cachos, usei um aparelho antigo de babyliss (à venda no Bazar Nem Mais Um Dia Com Você) e adivinha quem fez o serviço?

Moral da história: se a gente, de vez em quando, participa fazendo o nó de uma gravata aqui ou passando uma camisa ali, uma chapinha e um babyliss não custam nada. Só falta, agora, ele aprender a fazer photoshop com maquiagem de verdade. (Ah, a gravata acima foi um nó muito bem conservado, feito pelo vendedor da loja, que eu não sou boba.)

😉

Créditos:

Foto: Fabiana Barbosa.
Luz: natural.
Clima: de missão cumprida.
Tratamento de imagem: cor.

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No fim de semana, uma amiga e eu falávamos sobre pessoas próximas, algumas até com filhos, que vivem casamentos à distância e resolvem suas relações ao seu modo. Eu morro de curiosidade em saber como isso funciona na prática – a ideia parece fascinante.

Quando eu era vinte anos mais nova (uou, eu sei), namorei um curitibano que não tinha nada a ver comigo, mas era um gato. A gente namorou à distância durante sei lá quantos pouquíssimos meses e a experiência foi de tudo um pouco: boa, média e ruim.

Há quase um ano, eu cogitei passar três meses fora, sem o Lin. A gente acabou desistindo porque vamos ter essa experiência (é só uma questão de tempo – e espera) e a gente não queria gastar. Uma amiga, na época, comentou que “três meses era muito tempo para ficar longe”. Ela e eu  nunca mais falamos a respeito.

A incapacidade generalizada de quebrar tradições é mesmo irritante, não acha?

Créditos:

Foto: Thiago Medeiros.
Luz: natural.
Clima: de zoeira.
Tratamento de imagem: brilho.

Na minha adolescência, fui aprendendo com amigos homens que meu lugar na calçada era o lado   ‘de dentro’. Caminhando por ela, se eu estivesse posicionada na extremidade com a rua, um ou outro que caminhasse comigo dava um jeitinho de me ultrapassar pela esquerda e me ‘proteger’ de qualquer vulnerabilidade que viesse a acontecer.

Um dia eu perguntei por que exatamente os homens faziam aquilo, e um deles respondeu que era uma gentileza, no caso de um acidente, que ele estivesse ali entre a calçada e a rua primeiro. Achei lindo e passei a observar, na década de 90, uma quantidade considerável de homens que faziam isso. E, veja, eu era apenas uma adolescente.

Os tempos foram passando e tabus como dividir a conta foram sendo quebrados, ótimo; enquanto tantos outros usos e costumes foram sendo esquecidos, péssimo. Eu me lembrei disso tudo porque há muito tempo não via com meus próprios olhos, ao vivo, um homem se prontificar a tirar o casaco de sua mulher. Juro que só tinha visto a cena entre pessoas duas gerações mais velhas que eu, ou nos filmes. Sim, nos filmes.

Pois aconteceu ontem, diante de mim, um casal lindo, ela, de vestido rendado e um casaco para aquecer sua frágil constituição; ele, de camiseta preta e uma jaquetinha leve só para constar. Em duas ocasiões ele a ajudou para tirar o casaco, ao sentar-se à mesa, e para colocá-lo de volta, ao saírem dela. Ambos entre a Geração X e Y. Gente como eu, como o Lin.

Eu não tenho a menor ideia do que é ser ‘servida’ assim. Só sei que foi lindo.

Créditos:

Foto: Lienio Medeiros.
Luz: natural.
Clima: de descoberta.
Tratamento de imagem: contraste e saturação.

Durante muitos anos, uma amiga secreta e eu passávamos horas compartilhando nossa visão sobre os defeitos masculinos. Eram momentos de puro prazer sentarmos à mesa do bar, eu com um copo puritano de guaraná, ela com uma cervejinha e um cigarrinho, para falarmos deliciosamente a respeito de nossa superioridade feminina. Fizemos isso de todas as maneiras, por correio eletrônico, nas pausas para o café, na porta do fumódromo. Nosso discurso não mudava muito: somos mais fieis, mais cheias de iniciativa, mais corretas, mais inteligentes.

É, faz tempo.

E a vida foi acontecendo.

Agora, eu passo horas falando com outra amiga sobre as maravilhas da obstinação masculina também de todas as maneiras possíveis. Seja enquanto subimos as escadas até o nono andar, trocando o elevador, ou na hora do almoço avaliando a quantidade de carboidrato que cada uma deixa entrar no prato, mergulhamos sem culpa na cobiça do que não temos como fêmeas. A última foi quando ela contabilizou os quase 14 quilos que o namorado perdeu em 2 meses com uma dieta de salada que ela e eu adoraríamos conseguir fazer. Até o corpo masculino respondeu com superioridade. Como o Lin, que assim que resolveu se empenhar na aula de francês, pronto, passou a fazer lições todos os dias, à noite e pela manhã – um empenho que eu nunca tive nos meus anos de estudo da língua.

Eu amo os homens.

Créditos:

Foto: Lienio Medeiros, com o temporizador.
Luz: sombrinha e mais um flash.
Clima: de folga.
Tratamento: foto “rebocada”, só porque eu pedi que ele desse um up na minha perna.

Juro pra você que não estava fazendo tipo com esse chapelão. É proteção do sol mesmo!

Oi, minha gente. Se passaram 17 dias do último post. Para a vida real, nem é tanto assim. Somados a outros 15 dias sem postar por causa da pausa de fim de ano, o total sobe pra 32 dias. Tem razão, é bastante. Desculpe. Mil coisas.

Vamos fazer, então, como todo brasileiro e entrar pra turma do deixa-disso e começar tudo de novo. Mais um dia com você.

A cada dia de janeiro que a cidade vai deixando de ficar vazia e recebendo de volta seu povo, vou abraçando o novo ano e sentindo que ele está mesmo acontecendo. Hoje, me vi distraída durante o percurso do barulhento ônibus (já percebeu como os ônibus nessa cidade são ensurdecedores?!). Abri a janela e, de volta pra casa, deixei aquela brisazinha do começo da noite tapear meu rosto, o que me fez sentir que poderia ser Natal e Ano-Novo tudo outra vez. Caí na real rapidamente. Foi estranho.

No começo do meu dia hoje na redação, recebi uma notícia negativa, apesar de previsível. Foi tão lindo compartilhar a história com o Lin, que simplesmente reagiu assim, por email:

– Hummpf Tudo bem querida, seguimos confiantes!!! Te amo

Mesmo sem as pontuações, mesmo sem os espaços certos da digitação, mesmo com as três exclamações – que eu j-a-m-a-i-s uso em qualquer texto meu -, com tudo isso ainda assim esse recadinho me fez sorrir até agora.

Um começo total thumbs up para este dia de número 148, não? 😉

{Já conhece o projeto Mais Um Dia Com Você?}

Créditos:

Foto: Lienio Medeiros.
Luz: natural mais 1 flash simples.
Clima: de férias.
Tratamento de imagem: só contraste.

De pasagem por alguma cidadezinha entre a Geórgia e a Flórida

Durante anos, minha relação com o Verão foi conflituosa. Me lembro tendo brigas feias com ele, reclamando de como me deixava suada ao extremo, derretia minha maquiagem, deixava meu fôlego curto, manchava minha pele, me marcava com pintinhas indesejadas.

Me escondi dele assim que minha autoestima adolescente amadureceu a ponto de me orgulhar da minha cor transparente e nunca mais fomos buddies, nunca mais nos relacionamos. Demos um tempo.

Durante três anos, fiz questão de fazer amizade pesada com o Inverno dos hemisférios nortes e tirei minhas férias entre novembro, dezembro e janeiro. Comprei roupas de baixo especiais, investi em casacos, me alegrei com cada sopro frio no rosto.

Até que ele começou a cortar minha cara, deixá-la seca ao extremo, craquelar minha maquiagem, vaporizar meu fôlego, envelhecer minha pele e me marcar com rugas desidratadas. Nos desentendemos um pouco. Estamos dando um tempo.

Verão, me perdoa?

{Lin continua em pausa do Mais Um Dia Com Você. Quanto a ele? Inverno, inverno, inverno.}

Créditos:

Foto: Evelin Fomin.
Luz: do sol, bem na cara.
Clima: de estou a dois passos do Paraíso (na voz do Evandro Mesquita).
Tratamento de imagem: zero.

Não sei de onde ele tirou a ideia, mas Samy pediu que a gente ficasse nessa exata pose, ontem 

Acabei de fazer a frustrante contagem do tanto de posts que faltavam para que este projeto se mantivesse firme e forte e sem vacilos. (Clique aqui para entender do que se trata o Mais Um Dia Com Você.) São 13 dias de buraco. 13 dias que representam uma crise qualquer de um casal de carne e osso, que se desconecta de vez em quando, que se desentende na boa, que se perde em sua própria combinação entre desorganização, perfeccionismo e mimimi.

Bola pra frente, então? Posso desconsiderar as fotos anteriores? Podemos ser perdoados das 13 mazelas? É, por que, no fim, eu descobri a razão de o Lienio ter parado de fotografar. E o motivo era fofo, fofíssimo. “Assim, na correria, eu não quero fazer”, ele disse, afinal. “Porque fazer de qualquer jeito eu não quero.”

Em tempo: o tema-muleta que eu encontrei pra fazer as fotos sem ele, com nossas 5×7, descontinuei porque tivemos de usá-las para um outro projeto de vida que, se der certo, eu vou contar por aqui depois.

E pra voltar com tudo, espero que gostem das fotos clicadas e dirigidas pelo nosso sobrinho Samuel, de 9 anos.

Enjoy!

(E este post é dedicado às queridas Desiré e Jussara, que expressaram pedidos pela nossa volta com singelos recadinhos no Facebook.)

E esta pose foi a que Samy pediu hoje. “Chega mais perto e abraça ele, Evelin!”

Créditos:

Foto: Samuel Almeida Fomin.
Luz: ambiente.
Clima: familiar.
Tratamento de imagem: zero.

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